Publicado por: Ruy Almeida em: 17/03/2009
Reconheço que, no ano passado, quando o Grêmio foi eliminado na Copa do Brasil e no Gauchão, fiz coro à massa tricolor que queria Pelaipe e Roth fora do comando do clube. Inclusive antes de André Krieger assumir o comando do futebol do Grêmio e garantir a permanência do técnico para o Brasileirão, fazia projeções catastróficas para o caso de ele ficar. Porém, desde aquele fatídico dia em que Krieger afirmou à imprensa que Roth seguiria firme, passei a acreditar, com muita esperança, que se aquilo não fosse despiste para ganhar tempo (e o tempo provou que não era), poderíamos, com Roth à frente do time em uma pré-temporada fora de época naqueles 30 dias sem jogos antes da partida contra o São Paulo, virar a mesa e começar a sonhar, “quem sabe, com uma vaga na libertadores”. Sempre tive asco do nosso treinador, mas naquele momento passei a apostar no seu trabalho…e deu no que deu: fomos vice-campeões brasileiros e ganhamos a vaga à Libertadores, disputando o título até a última rodada, em um ano cuja previsão era fugirmos do rebaixamento.

É claro que apoiar, alentar o Grêmio, onde o Grêmio estiver, é uma obrigação de quem se diz gremista. Óbvio, também, que o torcedor, apaixonado em sua essência, estravaze o ódio por ter perdido os últimos grenais de forma estúpida – sendo o primeiro deste ano jogando melhor e com um gol injustamente anulado, o de Jonas, e o último perdendo como se fôssemos um Brasil de Pelotas, abatido e cansado – e resolva pedir a cabeça de alguém, e que esse alguém seja logo o Celso.
Assisti, meio de longe, a galera protestando no estádio, corneteando em blogs e no ClicRBS, dizendo “eu já sabia”, “fora burroth”, etc., com muita apreensão. Fui ao estádio no jogo contra o Universidad de Chile pela Libertadores, em que o time amassou os chilenos e só não fez gol porque naquela noite os deuses do futebol tinham ido dormir mais cedo. Foi um show técnico e tático, uma aula de como se deve ganhar uma partida de futebol. O Grêmio encurralou o time adversário em todos os cantos do campo de jogo, fazendo lembrar as belas atuações contra São Paulo e Santos pela Libertadores 2007 – com a ressalva de que, na minha opinião, o grupo de 2009 é tecnicamente superior. Bom, resumindo: estava aguardando o jogo contra o Boyacá Chicó na Colômbia, jogo que segundo a imprensa definiria a situação de Roth.
Aqui abro um parêntese: é muito ridículo esse negócio de que o trabalho de todo um ano, de uma pré-temporada, de contratações indicadas pelo técnico e por aí vai, dependam de um único resultado. É absurdo, é como se meu chefe viesse até a minha mesa e dissesse “olha Ruy, teu desempenho tem sido satisfatório no último ano, mas está horrível nesta última semana, então se amanhã o teu trabalho não melhorar, tu estás na rua”. Ridículo, não? Talvez seja verossímil, mas com certeza é um absurdo.
Pois bem, assim como todos os corneteiros (para quem não sabe, ‘corneteiro’ é aquele torcedor que só sabe reclamar do time, do técnico, dos jogadores, da direção, enfim, sempre tem algo do que reclamar em vez de torcer – e que, via de regra, quase nunca vai ao estádio) e a imprensa, eu estava depositando todas as minhas fichas naquele jogo contra o Boyacá, mas de uma forma diferente. Esperava voltar a ver o mesmo time que jogou uma final de copa do mundo no Olímpico, esperava que Roth estivesse certo, que o discurso de desmerecimento do Gauchão tivesse algum fundamento e que realmente a equipe estivesse guardando seu melhor futebol para ganhar a Libertadores. Queria, e continuo querendo, a permanência do Celso Roth, pois não lembro de uma equipe sequer ter trocado de técnico e chegado ao topo da América antes.

E não é que o bom futebol voltou? A atuação do tricolor foi acima da média, a equipe jogou fora de casa com o mesmo ímpeto mostrado na partida no Olímpico contra o Universidad (o que não acontecia em 2007, quando chegamos à final da Libertadores revertendo maus resultados em casa) e devolveu a esperança aos gremistas.
Creio que temos uma equipe limitada, porém muito melhor do que em 2007. Ora, se chegamos à final em 2007, por que diabos não teríamos condições de vencer este ano? A equipe do Boyacá se mostrou frágil contra o Grêmio, mas é importante lembrar que estamos falando do atual campeão e líder do campeonato colombiano, que conta ainda com Independiente Medellin, América de Cali, Deportivo Cúcuta e outras equipes fortíssimas.
Finalizando, acredito que seja hora de torcida e imprensa darem uma longa trégua ao Roth. Ele tem feito um bom trabalho, coerente com suas posições públicas. E, afinal, eu prefiro perder todos os grenais do ano e ser campeão da Libertadores, do que ser campeão do gauchão e ganhar dos vermelhos.
18/03/2009 às 20:35
Che, é isso mesmo. Desde o segundo Gre-Nal, o da apatia, eu venho dizendo (e pode conferir lá nos meus posts) que a cabeça do time inteiro estava na Colômbia. Depois do jogo de Tunja, vimos que era aquilo mesmo. A atenção ao Gauchão ficou para segundo plano, vieram as pressões, as cornetas (que não foram poucas) e o efeito manada fez com que 99% dos gremistas pedissem a cabeça do Roth, Burroth, Derroth… enfim, a culpa, ali, era de todo mundo. Quando ele não inventa, é um bom treinador, que estuda os jogos, domina o grupo… e VAMOS GREMIO!
Abraço!
19/03/2009 às 00:18
Ricardo, obrigado por dar atenção ao blog. Comecei esta semana e estou muito feliz em saber que pessoas ilustres já o frequentam. Não deixa de ler meu comentário sobre o jogo contra o Zequinha. Acho que agora vai hein…abraço, saudações tricolores!!!